O Eu e o Outro

Amor, no dicionário, é definido como:
Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa; grande dedicação ou cuidado. É tão difícil assim de entender? Vejo por todo canto pessoas que sofrem profundamente e são até maltratadas. Camões costumava dizer: Amor é fogo que arde sem se ver; […] É ter com quem nos mata, lealdade. Por favor, não levem a morte ao pé da letra. Sim, com toda certeza amar é ferida que dói e não se sente; até que ponto devemos suportar? Amar não é destratar, não é deixar a pessoa de lado e se lembrar dela daqui a três dias. É um sentimento danado que, se não regarmos, é como uma flor: Fica murcho por inteiro. Morre. No entanto, você sabia que não existe só esse sentimento para com os outros? Existe uma coisinha além disso, o amor próprio. Como ele está? Quando era mais nova escutava sempre que antes de amar uma pessoa era preciso amar a si próprio. Não entendia bulhufas disso. Exatamente, não entendia, não via sentido. Como assim sou mais importante? Talvez amar seja o equilíbrio entre o eu e o outro. Não precisa exagerar no eu e esquecer do outro. E muito menos exagerar no outro e se esquecer do eu. Entende? Esse é o ponto. É um sentimento tão maravilhoso com a capacidade de nos dar empurrões, fazer com que tenhamos dias mais alegres, melhores noites de sono (aquela sensação de que terá alguém ali com você ao acordar) e fazer do medo algo desconhecido; e quando ele se torna algo conhecido? Medo do outro? Espere um momento! Camões foi direto com paradoxos que fazem no mínimo um sentido um tanto quanto real. Não, não aceite menos que amor. O ser humano foi criado com uma racionalidade espaçosa, e em contrapartida, com um coração talvez imenso. Digo, sua capacidade de sentir. Amar não é apenas algo ligado ao coração, caro leitor. A racionalidade precisa fazer-se presente, às vezes bem escancaradamente. Passamos tanto tempo dando importância ao outro, e por que não darmos importância a nós mesmos também? Quando o eu interior está doente, tudo a sua volta adoece. Não se culpe pelo desamor do outro, por favor. Minha mãe disse que tem medo que essa geração desista de relacionamentos por qualquer coisa. Bom, realmente, não é por qualquer coisa que devemos desistir. Até que ponto devemos suportar? Não deixe seu eu interior adoecer, não deixe de cuidar bem dele. O amor cega? Não permita que essa cegueira seja pra sempre. Se não cuidam de você, se cuide. Tome decisões. Livre-se, liberte-se! Se não há dedicação e cuidado, meu amigo, o que você está fazendo ao lado dessa pessoa? Se não regar o amor, ele murcha e morre. E não tente dar mais água a uma flor que já está morta; de nada adiantará.

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