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Quebra-cabeça

Começo esse texto, caro leitor, com uma pergunta. O que te difere do outro?
Começamos a ser amados na barriga de nossas mães. O amor que elas sentem por nós é inexplicável. O primeiro contato social que temos é dentro de casa, depois convivemos com os primos e fazemos amizades. Cada um, claro, com suas semelhanças e particularidades. Esses são os laços que são criados primeiramente. É aquele velho clichê: Somos especiais do nosso jeito.
Chega o primeiro dia de aula. Alguns choram, enquanto outros têm até dor de barriga de tão ansiosos que ficam para ir à escola pela primeira vez. E assim começa uma vida em um lugar onde esta é mudada dez mil vezes, com dez mil lágrimas e dez mil sorrisos. A gente vivencia alegrias e tristezas em conjunto, todos os dias, com as mesmas pessoas. Então fazemos amizades, brigamos, nos afastamos, reconciliamos e nos adoramos. Vamos nos inserindo em grupos naturalmente, e encontramos pessoas com quem nos identificamos mais. Daí vem as “amizades”, e depois as amizades de verdade que levaremos conosco pelos caminhos tortos da vida. Essas pessoas nos amam e nos querem bem.
Toda manhã alguém diz “bom dia” com uma voz carinhosa, oferece um abraço, diz obrigado, de nada, estende a mão, ou simplesmente empresta-nos alguma coisa. Pequenos atos de bondade vão se encaixando nos buraquinhos da nossa alma machucada todos os dias, e a gente nem percebe. Mas eles estão ali. Sentimos gratidão por essas pessoas simplesmente por dizermos obrigado.
Por que não nos tratamos com toda essa gentileza e carinho que nos tratam? Somos quem diz “bom dia” e estende a mão aos outros também. Por que não somos capazes de sentir a gratidão e o amor que sentimos pelos outros, por nós mesmos? Também somos quem pecamos contra nossa pessoa todos os dias.
Qual plano da sua vida você está ocupando?
Olhar para o espelho e expressar o amor que sentimos por nós mesmos parece ser distante. Talvez seja porque não nos sentimos assim. Se amar não é egoísmo, é uma necessidade humana.
Tanta gente vem e vai, e nesse vai e vem só parece ser relevante não se sentir sozinho. Esta é a finalidade de tudo: Não sentir-se sozinho! Pois isto não passa de uma ilusão. Qual é o mal em estar só, aprendendo a aproveitar sua própria companhia? Nada pior que deitar a cabeça sobre o travesseiro no final do dia e pensar: “E agora? Estou sozinho.” Mas por que isso deve ser algo ruim? Não deve.
Há tanto de maravilhoso em cada um de nós, e a gente ainda insiste em implorar para que alguém reconheça isso. O reconhecimento de alguém não define o que realmente somos, não dependemos disso! Só existe um reconhecimento obrigatório: O nosso. Não conseguimos encaixar peça sequer de um quebra-cabeça se não somos capazes de identificar e reconhecer cada pedacinho dele. Se perdemos um desses, o todo fica incompleto. Digo, cada peça tem a mesma importância que a outra. Por que, então, não teríamos?

Ponto final

Comecei a escrever e parei na metade da primeira linha. Inicialmente queria falar sobre querer agradar todo mundo e acabar quebrando a cara com isso. Nem coloquei o primeiro ponto final, e pensei comigo mesma: Espera, sério que você vai escrever sobre isso? Precisava escrever por estar chateada exatamente por tentar ser legal demais. No entanto, caí na real só por estar colocando tudo em palavras aqui, portanto, apaguei. Passamos a vida toda construindo valores e tentando nos melhorar a cada dia que se passa, pra alguém chegar em você e te chamar de burro, idiota… que seja. Nunca fui de me importar pra críticas do tipo (ainda não ligo tanto), mas não é todo dia que estou com um sorriso no rosto pra digerir tudo o que me dizem. Tem gente que acha que nosso ouvido é penico. Meu ideal é agradar a mim mesma, e sendo assim, fazer o que me faz bem. Sei exatamente quem sou, não deveria ligar nem um pouquinho sequer pra quem gosta de falar merda. Quando ia botar o ponto final na frase inicial deste texto, me peguei pensando no porquê de tanta preocupação. Ei, pare com isso. Não é, e nunca será possível agradar a todos. Ah, e nem a si mesmo. Ninguém aqui é perfeito, cometemos erros o tempo todo. Preocupe-se apenas em se melhorar, melhorar para si mesmo. Ou seja, mude porque quer, e não para agradar as pessoas. Se tem algo em você que está te incomodando, trabalhe nisso. Não tente ser legal o tempo todo, sério. Isso vai te sobrecarregar uma hora, e, acredite em mim, bem não vai te fazer. Ou vai, se aprender a não ficar se movendo pelos outros. Não tem aquela pessoa que você não foi com a cara, ou achou chatinha sem ter batido um bom papo, ou conhecido a fundo sua personalidade e coisas do tipo? Agora se coloque no lugar dela, e suponha que ela está no seu lugar. Por que este sentimento de reversão? Não faz sentido, não é mesmo? A primeira impressão que temos dos outros vale muito, mas não tanto quanto quando conhecemos de verdade quem cada um é. Essa pessoa também não te conhece. Bote na sua cabeça que conhecer é diferente de “conhecer”. Só fala quem sabe. E você sabe pra falar? Talvez tenha ouvido várias histórias/boatos, que seja, mas o que isso justifica? Fica na sua. Essa coisa de ficar julgando e apontando o dedo pra cara dos outros SEM CONHECER, é insuportável. Primeiro, se conheça. Depois, só isso mesmo. Lembre-se também que o outro também tem paranóias. O propósito é não tirar conclusões precipitadas; conclusão geralmente vem no final, isto é, quando se conhece o outro. Tanto se fala de compaixão mas compaixão pouco se tem. Olha a que ponto cheguei. Estou bem melhor agora. Bendito ponto final que não botei.