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Cinza

Não te pesa a consciência alimentar essa casca sobre você? Ela não pesa? Ela não cai? Como? Não te dá dores nas costas? Nem no coração? Não se sente em cinzas expondo essa coisa cor de rosa estranha que te cobre por completo? E o fôlego, você não perde? Não fica sufocado? Te traz alívio fazer as pessoas sorrirem com toda essa cor? Pare de mentir para si mesmo.

Pensa que o que alimenta o que você acha que é vem de dentro? Por dentro existe um ser puramente verdadeiro. Por fora existe um traje bonito, cabelo arrumado e um belo sapato. Acha que consegue disfarçar o sofrimento que há no fundo do seu coração coberto por essa casca? Pare de se enganar.

Você age como quem não quer nada e toma todo o cuidado do mundo para não deixar o semblante entregar o emaranhado de sentimentos que está impregnado em sua alma. Mente para as pessoas e às vezes deixa escapar um pouco do seu veneno guardado. Isso não te traz vergonha? Não te deixa exausto ferir outros por algo que te estilhaça dia após dia?

Lembro de ouvir-te dizer que queria mudar. O que você está mudando? Seu disfarce? Enquanto está preocupado em manter o cor de rosa dessa sua casca bem vivo, seu eu interior está apodrecendo. Bom, não sei você, mas eu nunca vi algo podre voltar a ser viçoso.

Não sei se toda essa mentira te cansa,  mas você está de pé em um mundo que não tem chão. Pois então não te dá vontade de construir um chão? Onde está se sustentando? Nessa sua aparência medíocre? Para de se machucar. Respira.

A vida é um tesouro que só é verdadeiramente desfrutado quando se é verdadeiramente si mesmo. Uma hora você vai cansar de toda essa história e vai querer viver. Espero que seja logo.

Florescer

Eu tenho flores. Elas são dotadas de sensibilidade e inconstância, mas também de beleza. Todos os dias passo pelo meu jardim sentindo o cheirinho, em especial, o das rosas. Juro, são as mais vibrantes e cheirosas daquele local. As pessoas passam pela calçada e logo sentem o perfume. É tudo tão vivo e alegre, que sempre me perguntam a receita para aquele cultivo bem sucedido. Ora, não compliquem tanto. Apenas águo todos os dias um pouquinho. O aroma agradável é apenas uma consequência, assim como toda a vida ali existente. Às vezes quando estou indo à escola consigo ver algumas borboletas batendo suas asas exuberantes sobre as rosas. Até elas vêm para apreciar. Recordo-me claramente de quando comprei os botões para plantar: murchos e pequeninos. Todos me diziam que não iriam revigorar, pois além disso, o solo não era apropriado. Troquei a terra e a adubei. Cavei um buraco de um tamanho suficiente para que as raízes conseguissem ficar aconchegadas. Então, as cobri cuidadosamente. Logo em seguida reguei, com toda a certeza de que havia feito o que podia para salvar aqueles brotos. Dia após dia aguava-os, observando o desenvolvimento. No momento em que vi as pétalas se abrindo, mal acreditei. Sobreviveram! E estavam se tornando lindas flores, pouco a pouco.

Nos dias em que cheguei em casa e pensei que não daria certo, fiquei muito chateada. Tive um trabalho particularmente atencioso, e não deixei de acreditar. A felicidade em vê-las crescendo belas e perfumadas tomou conta de mim. Sei que se as deixasse sem água, iriam secar e morrer.

Não é sobre ter o maior jardim do bairro, ou o mais cheio de flores. É sobre ter o mais perfumado e vívido que poderia cultivar.

Assim é a vida.

A floresta

“Filha, leve isto para sua avó, ela está muito doente e não consegue se levantar da cama…” Prairie ouviu o alto tom de voz de sua mãe vindo da cozinha. Sem demora, foi até lá e avistou uma cesta repleta de frutas e alguns pedaços de bolo.

O cheiro estava maravilhoso, dificilmente alguém que passasse pela rua não o sentiria. Aproximou-se e observou cada coisa que havia ali: Três pedaços de bolo de chocolate, duas maçãs, um generoso pedaço perfeitamente simétrico de melancia, e uma boa quantia de ameixas. Tudo parecia perfeito, exatamente como sua avó gostava (e ela também). Seu estômago roncava e sua boca salivava. “Talvez ela me deixe comer um pouquinho quando chegar lá,” pensou, ficando ainda mais animada, “é tão longe, não é possível que ela não queira deixar eu comer pelo menos um pedacinho desse bolo.”

Já estava quase escurecendo, então a garota teve que se apressar. “Não vá pela floresta, Prairie. Já está anoitecendo e você sabe o quanto é perigoso.” Sim, sua mãe estava certa. A noite lá era sombria e perigosa, ninguém se arriscava a ir por aquele caminho. Além disso, havia diversas lendas de crianças que eram levadas por bruxas malvadas ao passar pela floresta à noite. Mas Prairie não era uma criança, era uma adolescente. No auge de seus 14 anos, não tinha medo de muita coisa. Quando tinha 9 anos, uma cobra imensa envolveu seu corpo enquanto cochilava no jardim; Ela brincava até dormir, e gostava muito de deitar na grama após uma garoa matinal. Quando seu pai finalmente havia chegado, ela já tinha apunhalado a cobra com uma faca que estava a seu alcance.  Foi nesse dia que ela se tornou a menina mais corajosa e destemida que aquele vilarejo jamais havia visto.

Sua mãe estava tomando banho, então Prairie deixou um bilhete em cima da mesa da copa: “Fui à casa da vovó.” Pegou uma lanterna para a volta e seguiu depressa. O caminho que ela tinha em mente não era lá essas coisas… Principalmente depois de uma tempestade na madrugada anterior. Após chuvas extensas, a noite na floresta costumava ser gelada como se houvesse neve e com muitas poças de água, o que dificultava sua travessia. No entanto, isso era algo que a garota desconhecia, já que nunca havia passado pela floresta na escuridão. Aliás, ela não imaginava que estaria tão escuro. A densidade da vegetação era inimaginável: As folhas das imensas árvores se entrelaçavam, formando uma espécie de manto que impedia que a pouca luz do final de tarde passasse. No fundo sabia que seria errado não seguir o conselho de sua mãe, e sabia que algo poderia acontecer, mas nem por isso deixou de seguir em frente.

Ligou sua lanterna e iluminou ao seu redor:  “Que lindo!” sussurrou para si mesma, “Parece que fica mais bonito ainda à noite.” Olhava para os lados observando a água corrente que por ali passava, e sem vestimentas adequadas para o frio que fazia, tremia: “Eu devia ter trazido um casaco…” E prosseguiu olhando mais para os lados que para o chão. Não ouvia barulho nenhum além do som das cigarras que ecoava na imensidão em que havia entrado.

Olhou em seu relógio e já havia passado uma hora desde que saiu de casa. Como não conhecia aquele trajeto, poderia demorar até duas horas. Na verdade não era apenas por desconhecer o trajeto; Prairie estava congelando, e por mais que não quisesse admitir para si mesma, estava tremendo de medo também. Sentiu seu pé preso em algo e o iluminou: “Não acredito que isso está acontecendo!” Pensou, desacreditada. Havia ficado preso em um buraco pequeno que apenas ele poderia ficar. Ela o puxava, mexia e remexia, e nada. Tentou afastar o solo de seu pé com as mãos, e de nada adiantava. “Será que vou ficar aqui para sempre?”

Deitada no chão coberto por folhas úmidas, seu coração acelerado não ajudava a sanar o desespero.  Sua lanterna iluminava o tronco de uma árvore que havia em sua frente, mas pouco conseguia enxergar devido às lágrimas que desciam pelo seu rosto enfileiradas. Só conseguia pensar a todo instante: “O que eu estou fazendo aqui? Era certeza que daria errado, por que não pensei?” O frio que sentia parecia estar sumindo e ao invés de tremer de frio agora suava. Sentiu alguém pegando em seu pé, e desprendendo do buraco. Mirou a luz de sua lanterna em direção ao seu pé, e ficou surpresa: Um garotinho loiro, com suas roupas sujas e rasgadas, a encarava. Aproximou-se dele e observou uma ferida aberta em seu braço. Não parecia que era recente, pois não havia nenhum sinal de sangue. O menino estava imóvel e olhando diretamente nos olhos de Prairie. Perguntou, almejando uma resposta: “Você está perdido?” Ele não falou nada, apenas continuou olhando para seu rosto. “O que aconteceu com o seu braço?” Parecia que o som das cigarras ficava cada vez mais alto à medida que o questionava e não obtinha respostas. Aproximou-se dele mais um pouco e levou sua mão em seus ombros. O garoto olhou para o lado, com uma expressão de desespero, e saiu correndo, veloz. Prairie assustou-se: “Não vai,” gritava, “volte aqui!” Mas ele já havia desaparecido pela escuridão. Seu suor secava e o frio voltava. O que será que aquele menino havia visto?

Continua…

Para que?

Quando nasci, ganhei de presente a morte. A única certeza que tenho é que um dia irei morrer. Falecer. Chegar a um lugar melhor. Bom, chame-a como preferir.

Outro dia estava dormindo profundamente, quando fui acordada repentinamente com aquele sentimento de que algo estava errado. A luz do sol não transpassava a janela como outrora; ainda podia sentir o frio da madrugada. Tive minha paz interrompida em meio à noite envelhecida. Ó Deus, o que poderia tirar meu sossego desta forma? A morte. Somos pegos de surpresa, -eu fui pega de surpresa! Arrumei minhas coisas com uma enorme dificuldade para enxergar o que estava pegando em minhas mãos, as lágrimas desciam cada vez mais densas. Ó Deus, logo agora?

A dor no peito apertava cada vez mais. O tempo próximo não costuma ajudar muito… Ele apenas vai inflando nosso peito de angústia. Chorei, pois precisava desinflar. Se o tempo próximo não dói, a longa data te aniquilará aos poucos. Os minutos se tornam horas. Cada instante parece ser uma eternidade.

O que temos certeza (e a única certeza) é que à morte estamos destinados. Não há como fugir, não há como correr. Alguns colidem de frente, quando não se sentem capazes de suportar mais a própria vida; alguns correm, o mais rápido que podem. Tabu! Outros, tranquilos, a recebem como um destino manso. Temendo ou não, saiba: Todos iremos morrer.

Toda a sociedade se apressa para conseguir o que quer, ou até coisas que nem são tão necessárias assim. Pois ora, olhe nas ruas de sua cidade. O sofrimento é um vírus: descuide-se e será contaminado. A rotina cansa, suga a alma e a felicidade dos seres humanos. Olhe nas ruas de sua cidade! Palavras grosseiras e agressivas, filtros inexistentes. Trabalhe! Trabalhe! Seja ambicioso! Para que? À morte estamos destinados, e no céu não entra dinheiro, e nem bens conquistados durante a vida. Hoje conversando com uma professora, ouvi atentamente: “Carro é roubado, dinheiro também. Mas o conhecimento que passo aos meus filhos, as experiências vividas, isso eu tenho certeza que não será tirado deles. É para sempre.” Para que passamos toda nossa desprezível existência sofrendo e correndo sem parar? Não adianta ser ganancioso. É aí que entra todo aquele discurso da felicidade.

Ah, caro leitor, não tema a morte. Ela é algo que chega de fininho e pega muita gente de surpresa. Mas saiba que o sentido da vida está nos amores que conquistamos; nas pequenas coisas apreciadas; na paz do pôr do sol; no cheirinho das plantas levemente umedecidas após a garoa. Nossa existência, apesar de todas as dores e perdas, não é inútil. Parece fútil dizer, mas apenas vivemos uma vez. Apesar da luz não transpassar mais à janela nas manhãs ensolaradas, esse não é o fim. O fim, meu amigo… Não o cogite, não o espere. Mas saiba que ele existirá. Tenha vontade de sentir o cheirinho da terra molhada, de ver o arco íris. Seu legado nunca morrerá.

Não perca a sua vida! Não é algo que é vendido por aí em camelôs e nem na internet. Ela passa num piscar de olhos, e esse piscar de olhos não se repetirá. Nascemos e ganhamos de presente a morte…

O Eu e o Outro

Amor, no dicionário, é definido como:
Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa; grande dedicação ou cuidado. É tão difícil assim de entender? Vejo por todo canto pessoas que sofrem profundamente e são até maltratadas. Camões costumava dizer: Amor é fogo que arde sem se ver; […] É ter com quem nos mata, lealdade. Por favor, não levem a morte ao pé da letra. Sim, com toda certeza amar é ferida que dói e não se sente; até que ponto devemos suportar? Amar não é destratar, não é deixar a pessoa de lado e se lembrar dela daqui a três dias. É um sentimento danado que, se não regarmos, é como uma flor: Fica murcho por inteiro. Morre. No entanto, você sabia que não existe só esse sentimento para com os outros? Existe uma coisinha além disso, o amor próprio. Como ele está? Quando era mais nova escutava sempre que antes de amar uma pessoa era preciso amar a si próprio. Não entendia bulhufas disso. Exatamente, não entendia, não via sentido. Como assim sou mais importante? Talvez amar seja o equilíbrio entre o eu e o outro. Não precisa exagerar no eu e esquecer do outro. E muito menos exagerar no outro e se esquecer do eu. Entende? Esse é o ponto. É um sentimento tão maravilhoso com a capacidade de nos dar empurrões, fazer com que tenhamos dias mais alegres, melhores noites de sono (aquela sensação de que terá alguém ali com você ao acordar) e fazer do medo algo desconhecido; e quando ele se torna algo conhecido? Medo do outro? Espere um momento! Camões foi direto com paradoxos que fazem no mínimo um sentido um tanto quanto real. Não, não aceite menos que amor. O ser humano foi criado com uma racionalidade espaçosa, e em contrapartida, com um coração talvez imenso. Digo, sua capacidade de sentir. Amar não é apenas algo ligado ao coração, caro leitor. A racionalidade precisa fazer-se presente, às vezes bem escancaradamente. Passamos tanto tempo dando importância ao outro, e por que não darmos importância a nós mesmos também? Quando o eu interior está doente, tudo a sua volta adoece. Não se culpe pelo desamor do outro, por favor. Minha mãe disse que tem medo que essa geração desista de relacionamentos por qualquer coisa. Bom, realmente, não é por qualquer coisa que devemos desistir. Até que ponto devemos suportar? Não deixe seu eu interior adoecer, não deixe de cuidar bem dele. O amor cega? Não permita que essa cegueira seja pra sempre. Se não cuidam de você, se cuide. Tome decisões. Livre-se, liberte-se! Se não há dedicação e cuidado, meu amigo, o que você está fazendo ao lado dessa pessoa? Se não regar o amor, ele murcha e morre. E não tente dar mais água a uma flor que já está morta; de nada adiantará.

Ponto final

Comecei a escrever e parei na metade da primeira linha. Inicialmente queria falar sobre querer agradar todo mundo e acabar quebrando a cara com isso. Nem coloquei o primeiro ponto final, e pensei comigo mesma: Espera, sério que você vai escrever sobre isso? Precisava escrever por estar chateada exatamente por tentar ser legal demais. No entanto, caí na real só por estar colocando tudo em palavras aqui, portanto, apaguei. Passamos a vida toda construindo valores e tentando nos melhorar a cada dia que se passa, pra alguém chegar em você e te chamar de burro, idiota… que seja. Nunca fui de me importar pra críticas do tipo (ainda não ligo tanto), mas não é todo dia que estou com um sorriso no rosto pra digerir tudo o que me dizem. Tem gente que acha que nosso ouvido é penico. Meu ideal é agradar a mim mesma, e sendo assim, fazer o que me faz bem. Sei exatamente quem sou, não deveria ligar nem um pouquinho sequer pra quem gosta de falar merda. Quando ia botar o ponto final na frase inicial deste texto, me peguei pensando no porquê de tanta preocupação. Ei, pare com isso. Não é, e nunca será possível agradar a todos. Ah, e nem a si mesmo. Ninguém aqui é perfeito, cometemos erros o tempo todo. Preocupe-se apenas em se melhorar, melhorar para si mesmo. Ou seja, mude porque quer, e não para agradar as pessoas. Se tem algo em você que está te incomodando, trabalhe nisso. Não tente ser legal o tempo todo, sério. Isso vai te sobrecarregar uma hora, e, acredite em mim, bem não vai te fazer. Ou vai, se aprender a não ficar se movendo pelos outros. Não tem aquela pessoa que você não foi com a cara, ou achou chatinha sem ter batido um bom papo, ou conhecido a fundo sua personalidade e coisas do tipo? Agora se coloque no lugar dela, e suponha que ela está no seu lugar. Por que este sentimento de reversão? Não faz sentido, não é mesmo? A primeira impressão que temos dos outros vale muito, mas não tanto quanto quando conhecemos de verdade quem cada um é. Essa pessoa também não te conhece. Bote na sua cabeça que conhecer é diferente de “conhecer”. Só fala quem sabe. E você sabe pra falar? Talvez tenha ouvido várias histórias/boatos, que seja, mas o que isso justifica? Fica na sua. Essa coisa de ficar julgando e apontando o dedo pra cara dos outros SEM CONHECER, é insuportável. Primeiro, se conheça. Depois, só isso mesmo. Lembre-se também que o outro também tem paranóias. O propósito é não tirar conclusões precipitadas; conclusão geralmente vem no final, isto é, quando se conhece o outro. Tanto se fala de compaixão mas compaixão pouco se tem. Olha a que ponto cheguei. Estou bem melhor agora. Bendito ponto final que não botei.

Zen

Dizem que a desgraça nunca vem sozinha. Ao longo da vida a gente evolui, e nossas companhias mudam. Não é sempre que estamos dispostos a agitação, inquietação e coisas do tipo. É necessária a compreensão da necessidade de momentos assim, mais calmos, mais zen. Se você evolui, não deve regredir. Ou é uma coisa ou é outra. Se já experimentou companhias que deixam sua energia mais leve, de fato terá preferência por elas. Não necessariamente as pessoas precisam ter o mesmo pensamento e ideias que você, mas sim saber discutir de forma saudável e respeitar seu espaço, assim como também deves respeitar. Digo e repito, qualquer relação deve ter reciprocidade. Nada funciona se as coisas vierem apenas de um lado. A desgraça nunca vem só. Evolua as companhias e não dê pra trás. Funciona mais ou menos como fases de um jogo, cada uma vai ficando mais complexa. Quanto mais você deixa o ciclo natural das amizades e a renovação acontecerem, maior fica sua visão sobre isso. Coisas que aceitava antes, em hipótese alguma aceita agora. Claro que não se deve permitir a regressão. Lembre-se, a desgraça nunca vem sozinha, mas sim, acompanhada. Se você abre a porta para uma, as outras dão um jeitinho de segui-la.

Dia rosado

Hoje ela estava feliz. Mas não vá pensando que já acordou assim. A garota acordou como sempre acorda todos os dias: meio tanto faz. Abriu os olhos, sua mãe a chamou pela segunda vez e já era 12:00, típicas férias… Almoçou, lavou a louça, ficou no celular por horas e horas até decidir que deveria fazer algo mais produtivo, pelo menos hoje. Abriu seu piano, e todo o sentimento de tanto faz foi indo embora ao soar de cada nota. Deixou sua mãe mais alegre, e depois foi ajudá-la a limpar a casa suja de reforma. Como se não bastasse, ligou uma música. Como sempre. O sentimento de tanto faz foi indo embora conforme o som se espalhava. Ainda passeou com o cachorro. O tão comum tanto faz foi a óbito. Nem todos os dias são assim. Ela ficou se perguntando de onde tirou toda essa vontade de ser feliz em um dia comum, e ainda por cima fazendo algumas coisas bem chatas e desgastantes. Mas na verdade, a garota viu que nada é desgastante. A gente determina o que é desgastante ou não. E se ela estivesse meio tanto faz? Com toda certeza e mais um pouco, tudo teria sido muito chato e cansativo. Tudo muda se tivermos vontade e um pouquinho de ânimo. Expulse esse sentimento de tanto faz de você. Ah, já ia me esquecendo. O estado de espírito dela estava tão bom e fabuloso, que ela estava fabulosa. Todo mundo quando está alegre torna-se fabuloso. Aliás, torne-se fabuloso. Sorria. Tudo que é ruim tem uma pitada de bom. Faça com que o bom aumente. Faça com que o bom se torne tão grande, que invada seu coração. O bom faz com que você faça o bem. Os dias são precisos, sorria. Seja fabuloso.

Você não merece

Você não merece isso. Esperar por um amigo e ganhar um meio-amigo. Um meio-amor. Uma pessoa pela metade. Sem sombra de dúvidas, você não merece isso. Não merece alguém que te faça acreditar na vida, e que cada dia será melhor que os anteriores- e logo em seguida te prova o contrário. Você não pode deixar a sua esperança aumentar e diminuir desta forma. Tem horas que a gente cansa de brincar de montanha russa com as pessoas. Obviamente toda relação tem seus altos e baixos, mas estou falando de algo bem maior que isso. A situação chega ao ponto de te fazer questionar que tipo de pessoa é essa que está ao seu lado. Que tipo de pessoa é essa que está ao seu lado? Ela te dá meio-amor, meia-atenção, meio-respeito, meia-preocupação? Honey, então não vale a pena. Definitivamente, este é o tipo de ser humano que não vale a pena. Pior mesmo é quando a gente constrói um carinho tão grande por ela, e depois tudo isso que criamos/construímos cai sobre nós, vira-se contra nós. Ou é tudo, ou é nada. Das duas uma. É tudo? Ótimo, perfeito. Mantenha essa pessoa na sua vida. É nada? Tchau. Você merece mais que isso. É como dizem por aí: Não aceite migalhas. Não é meio-amor; na verdade, se é meio não é amor. Não é meia-atenção. Quem se preocupa mesmo contigo não te dá nada pela metade. E quando estás na fossa e precisa de um ombro amigo, cadê o seu meio-alguma-coisa? Onde? Depois que sentimos que “ninguém se importa”, vem aquela sensação de solidão. Fulano de tal tá pouco se lixando pra você, sério, tá nem aí. Sua meio-alguma-coisa também não tá nem aí. Ninguém é obrigado a aceitar isso. Para de ficar correndo atrás, amiga. Descansa um pouco. Tem gente que não merece o mínimo do seu esforço. E com isso tudo, o que acontece? Você só se desgasta mais e mais. Quem parecia ser incrível, aos poucos vai sumindo. É bem difícil. De meio em meio você se esvazia. Contraditório, mas faz sentido. De tanto engolir meio-alguma-coisa, você se sente sozinho. Sem sombra de dúvidas, você não merece isso. Porém, entretanto, no entanto, nesse joguinho inútil de se dar pela metade, mal sabe fulano de tal a pessoa incrível que ele está perdendo. Você. 🙂

Para que eu possa me lembrar

Sabe quando no meio da semana bate aquela saudade de todos que você ama? Não que você não seja amado, mas sente falta da companhia. Às vezes sentimos mais necessidade que outras vezes. Um carinho de amigo, de mãe, de cara-metade. Eu sou um ser humano e como todo ser humano tenho ânsia de amor. Creio que não é pedir muito. Nós somos tão belos com essa capacidade de amar e de sentir coisas indescritíveis, mas somos mais belos ainda quando compartilhamos tudo isso com alguém. É uma necessidade completamente comum de todos nós. Leia isso com atenção: Quantas vezes você já disse “eu te amo” hoje? Tá na hora de começar a dizer. Mas não diga isso só para agradar o outro, diga isso para expressar o seu amor, para deixar fluir esta alegria em você. Ao dizermos isso, a sensação que dá é tão boa que dá vontade de sair gritando para todo mundo ouvir o quanto a pessoa é importante para você. Não tenha medo de mostrar. Mostre mesmo. É tão bonito… Não acha? É bonito o sorriso da pessoa quando te ouve dizer palavras bonitas, o brilho que surge fora do normal em seus olhos. Fazer alguém feliz é se fazer feliz. Minha melhor amiga é um amor de pessoa, e eu não canso de dizer que amo ela. Por que não? Ela me faz a amiga mais feliz do mundo, e eu faço ela se sentir assim também, porque é recíproco. Meu namorado a mesma coisa. Minha irmã, minha prima, e assim por diante. As relações estão aí pra isso, para dizer o quão importante cada pessoa é. O amor nos deixa feliz. Não compreendo quem diz que “é alérgico ao amor”, que isso é treta e tal. Se é treta é porque não é amor, concorda? E também, ninguém nunca disse que seria fácil. Nada vem tão fácil, às vezes é preciso batalhar para se ter aquilo que desejas. Não desista de amar. Não desista das pessoas que te fazem feliz. Viemos a este mundo para sermos felizes e compartilharmos isso. E não ache que não merece. Merece sim, e merece muito.   O amor está na pureza das palavras e na beleza dos gestos. Porque o amor não está apenas nos ditados, está na comprovação disto. O doce toque e o doce beijo, o desesperador olhar que acalma, e tudo ao mesmo tempo. O ” busca água pra mim” de todo fim de semana e o “vou te matar” de toda terça e quinta. Olha, eu amo vocês. Dos mais profundos labirintos de meu coração, eu amo vocês.